quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Aquecimento global e Protocolo de Kyoto

O aquecimento global está relacionado a um aumento de temperatura no planeta, ocasionado pela liberação de gases estufas, como o dióxido de carbono e metano (entre outros) através de diversas atividades humanas, como a industrial, queimadas, mudanças no uso do solo e decomposição de matéria orgânica.

Segundo relatório lançado em 2007 pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), a temperatura média do planeta subiu 0,76ºC no século XX, sendo notória a correlação existente entre o aumento de temperatura média e o aumento das emissões de CO2, especialmente, a partir de 1910.

Diante das ameaças provocadas pela esperada (e para muitos, já vivenciada) mudanças climáticas, como o derretimento das geleiras e das neves em topos de montanhas, aumento do nível do mar, inundações de áreas costeiras, aumento da ocorrência e intensidade de fenômenos naturais como furacões e tornados, extinção de espécies, etc. várias organizações ambientalistas e cientistas passaram a cobrar dos Estados aprofundamentos em estudos e medidas para modificar tal panorama climático.

Debates sobre a interferência humana no meio ambiente ocorridos nas décadas de 1970 e 1980 e o surgimento de evidências científicas sobre a participação e responsabilidade humana sobre o aquecimento global[1] resultaram na organização da “Rio 92” – Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, na qual, ocorreu o apelo para uma ação internacional e voluntária de cortes nas emissões de gases estufa.

Em 1997, em Kyoto, Japão, foi elaborado o “Protocolo de Kyoto”, uma carta de intenções sobre as reduções de gases estufa que requeria, basicamente, a redução de 5,2% dos níveis de emissão de poluentes em relação aos níveis emitidos em 1990 para os 35 países mais industrializados. Também foi prevista uma data limite para a conquista de tal objetivo: o ano de 2012.No entanto, o “Protocolo de Kyoto” enfrentou alguns entraves, os Estados Unidos, responsável por 36% das emissões mundiais não ratificaram o Protocolo. A ratificação deveria ser realizada pelos responsáveis por mais de 55% das emissões de CO2 para que as medidas previstas no protocolo fossem praticadas. Só ocorreu quando a Rússia aceitou assinar a ratificação em fevereiro de 2005.

Várias ações foram elaboradas para atingir a meta de redução de gases estufa, como promover mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), políticas de eficiência energética, sequestro de carbono e campanhas de conscientização ambiental.


O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)


O MDL parte do princípio que a atmosfera é a mesma para todos, portanto, a redução das emissões pode ocorrer em qualquer parte do mundo.

Indústrias e termelétricas instaladas na Europa ou no Japão, por exemplo, podem investir em empreendimentos de “tecnologia limpa” em países que não têm que cumprir metas nacionais. Assim, essas empresas adquirem créditos abatidos de suas cotas de emissões.

“O primeiro programa aprovado pelo Banco Mundial para receber créditos de carbono é brasileiro. A Nova Gerar, joint-venture da S.A. Paulista com a EcoSecurities materializou um projeto de geração de energia com gás metano em um aterro sanitário da Baixada Fluminense. A iniciativa foi a primeira do mundo oficialmente inscrita como projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto...” (Nadalutti, Roberta. Adaptado de: http//www.webeficienciaenergetica.kit.net/artigo.htm)

Entre os empreendimentos que compensam as emissões, rendendo “créditos de carbono”, estão: geração de energia renovável, tratamento de dejetos suínos e reaproveitamento de biogás, captura de gás metano em aterro sanitário, melhoramento de processos industriais, gestão e tratamento de resíduos, redução de gases como óxido nitroso, troca de combustível fóssil por energia limpa, reflorestamento e área degradada.


O “sequestro de carbono”


O sequestro de carbono consiste na captura e fixação de CO2 pelas plantas. Isto é, as florestas, especialmente, tropicais e equatoriais, são verdadeiros sumidouros de carbono.

Para compensar os altos custos da redução das emissões por empresas poluentes podem ser regulamentados projetos de preservação ou recuperação da vegetação do planeta. Dessa forma, empresas/indústrias que não conseguem reduzir suas emissões ou não querem arcar com os altos custos das novas tecnologias podem implantar projetos de reflorestamento e arcar com projetos de preservação ambiental, não necessariamente dentro dos limites de seu território. Tal mecanismo de redução de emissões pode ser denominado como “implementação conjunta” – um país pode viabilizar projetos de redução de gases estufa em outro país – neste caso, o anfitrião do projeto pode ser beneficiado, teoricamente, com o investimento estrangeiro.

Em suma, criou-se um verdadeiro comércio internacional de emissões diante de tanta flexibilização dos processos para atingir a meta de redução (diga-se, de passagem, uma meta simplória: 5,2% relacionado aos níveis emitidos em 1990).

“...se eu tenho excesso de emissões posso pagar a alguém que reduza essas emissões em seu país (processos de captura de CO2). Em síntese é uma distorção do princípio do poluidor pagador, ou seja, se eu poluo, pago alguém para despoluir, numa tentativa de se eximir de parte da responsabilidade.”

“Entretanto, o que não está dito é que as atividades que mais emitem CO2 são as que geram mais riqueza (associadas à indústria e à tecnologia) e as atividades agrícolas são as que menos emitem, mas tem valor agregado reduzido e geram pouca tecnologia. Além disso, as atividades compensatórias demandam crescimento de florestas, que os países desenvolvidos parecem não ter interesse em plantar, por simples questão de ocupação territorial. É mais fácil para eles plantar nos países mais pobres, com custos bem inferiores, do que arcar com o custo e ônus político desse novo arranjo territorial.” (Redefor, 2012, página 22)

Ou seja, os países ratificadores do protocolo de kyoto procuram em seus projetos de redução de emissões a melhor relação entre custo e benefício. Apesar das iniciativas, as emissões de carbono continuam a aumentar significativamente à medida que novos atores entram em cena, como, por exemplo, China, Índia e Brasil. O protocolo de kyoto (que já nasceu atrasado) precisa se atualizar. Referências bibliográficas:


REDEFOR – Rede de Formação Docente, SEESP (Secretaria Estadual de Educação de São Paulo) – Curso de Especialização para o quadro de magistério da SEESP. Gestão do território, energia e meio ambiente. UNESP, São Paulo, 2012.

Desafio: mudanças climáticas 2009. Caderno do Professor. Editora Horizonte. 
[1] Há cientistas que contestam e refutam tais evidências. São reconhecidos como “céticos” 

Um comentário:

  1. Acho o Protocolo de Kyoto ambivalente. Ele protege alguns lugares em detrimentos a outros. Os grandes responsáveis pela emissão de CO2 não concordaram em assinar o protocolo e aqueles que assinaram, podem comprar créditos de carbono em outros lugares. Uma ideia estranha, pois se é para reduzir a emissão, esta deve ser reduzida como um todo.

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