terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os Cães da Groenlândia


Os Cães da Groenlândia
          Os cientistas que estudam as mudanças climáticas têm interesse particular pela Groenlândia, pois sua calota gelada contém água suficiente para elevar em 7 metros o nível médio dos oceanos, se desaparecesse completamente. Isso está longe de ocorrer, mas a grande ilha do Atlântico Norte exibe sintomas do aquecimento global mais evidentes que qualquer outra área do mundo.
        A fusão das bordas dos glaciares provoca desprendimento muito mais frequente de icebergs que no passado recente. As grandes baías, que congelavam durante o inverno, já estão abertas à navegação durante o ano inteiro. Como efeito de maior evaporação, aumentaram as chuvas de primavera, o que intensifica ainda mais o processo de fusão dos glaciares.
        Os instrumentos dos cientistas registram aumento da velocidade de deslocamento das placas de gelo superficiais. Mas as evidências do aquecimento global não são segredos científicos. Uma reportagem de Paul Bennett (“Global warming: Greenland when it’s hot”, National Geographic, novembro 2006) conta que no povoado de Llulissat, situado na costa oeste da Groenlândia, desde 2001 não se usam mais cães e trenós para caçar baleias e focas presas no gelo, pois a baía já não congela. Em todo o país, a população de cães reduziu-se bastante, pois muitos foram abandonados. Segundo Marit Holm, uma veterinária do local, “há uma tradição aqui de se considerar esses cães apenas como animais de trabalho”. Para evitar que morram de fome, ela viaja de povoado em povoado sacrificando os animais.
        Acessem a reportagem pois é muito interessante. Fica a dica de uma boa leitura.

 

 

Biocombustível = Sustentabilidade?

 
Encontrei estas reflexões enquanto procurava por alguma charge interessante. Está disponível em:  folhethos.blogspot.com.
 

http://www.fenasucro.com.br/newsletter/28_06_07/imgs/combustivel_g.jpg

        Segundo o Greenpeace os maiores financiamentos de 2008 estão sendo destinados ao desenvolvimento de biocombustíveis. Isso porque diante da descoberta na década de 70 de que o petróleo é uma fonte esgotável, novas alternativas estão sendo estudadas para a substituição deste. Ademais estes combustíveis alternativos liberam em média 25% menos gases responsáveis pelo efeito de estufa do que os combustíveis fósseis.
        Esta vantagem acarretou em uma maior visibilidade para os biocombustiveis considerados essenciais para um desenvolvimento sustentável, expressão esta difundida e idealizada após o ECO 92, e que traduz a necessidade de buscar o equilíbrio do planeta para as gerações futuras.Será porém que a sustentabilidade dos biocombustiveis é realmente incontestável?
        Verifica-se, atualmente, que os principais combustíveis alternativos presentes no mercado são: o biodiesel - produzido com grãos ou sementes e frutos oleaginosos, como soja, coco, algodão, amendoim, palma, etc, normalmente utilizado nos motores a diesel - e o etanol - feito a partir da fermentação dos açúcares de gramíneas e grãos como milho e cana-de-açúcar, habitualmente usado nos motores a gasolina.
        O que está ocorrendo ,contudo, é uma crescente transformação
de produtores agrícolas em investidores de biocombustíveis, devido a maior valorização especulativa destes no mercado. Nos EUA, por exemplo, houve um deslocamento de 80 a 90 milhões de toneladas de milho para a produção do etanol. Os resultados estão explícitos: o relatório do Banco Mundial aponta a recente ascensão dos biocombustíveis como responsável por 75% do aumento mundial do preço dos alimentos desde 2002. Por isso, para abandonar o petróleo, segundo as soluções apresentadas, é preciso esvaziar um pouco o prato.
         Do ponto de vista ambiental está comprovado que as novas fontes de combustível contribuiriam para melhorar o problema do efeito estufa e do aquecimento global ,porém, do ponto de vista social e econômico,a substituição de combustível poderia desequilibrar o comércio, além de piorar a situação da fome mundial caso o projeto não seja bem planejado. Assim é preciso cautela na avaliação dos aspectos benéficos ou maléficos das novas alternativas propostas.

Vale a pena refletir

Vale a pena refletir !!!

 
Fonte: grupodebioenergia.blogspot.com
 
         Vale a pena refletir sobre como muitos estão apregoando aos sete ventos sobre o aquecimento global, a utilização de fontes mais limpas, a utilização racional dos recursos naturais e ao mesmo tempo continuam com velhos hábitos. A mudança na rotina de cada um de nós é imprescindível para a melhoria da vida na Terra.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Charge - Biocombustíveis e Agrocombustíveis

Esta charge foi a escolhida pelo grupo no fórum de discussão.
A mesma foi postada pelo também autor do blog, Sidnei Rodrigues.

Fonte: http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/05/biodiesel.jpg

De acordo com a fala do Sidnei, ele escolheu esta charge pois nela pode-se notar que o Brasil esta sendo o centro das atenções referentes ao biocombustível e também que outros países estão de olho em nossa riqueza natural.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Aquecimento global e Protocolo de Kyoto

O aquecimento global está relacionado a um aumento de temperatura no planeta, ocasionado pela liberação de gases estufas, como o dióxido de carbono e metano (entre outros) através de diversas atividades humanas, como a industrial, queimadas, mudanças no uso do solo e decomposição de matéria orgânica.

Segundo relatório lançado em 2007 pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), a temperatura média do planeta subiu 0,76ºC no século XX, sendo notória a correlação existente entre o aumento de temperatura média e o aumento das emissões de CO2, especialmente, a partir de 1910.

Diante das ameaças provocadas pela esperada (e para muitos, já vivenciada) mudanças climáticas, como o derretimento das geleiras e das neves em topos de montanhas, aumento do nível do mar, inundações de áreas costeiras, aumento da ocorrência e intensidade de fenômenos naturais como furacões e tornados, extinção de espécies, etc. várias organizações ambientalistas e cientistas passaram a cobrar dos Estados aprofundamentos em estudos e medidas para modificar tal panorama climático.

Debates sobre a interferência humana no meio ambiente ocorridos nas décadas de 1970 e 1980 e o surgimento de evidências científicas sobre a participação e responsabilidade humana sobre o aquecimento global[1] resultaram na organização da “Rio 92” – Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, na qual, ocorreu o apelo para uma ação internacional e voluntária de cortes nas emissões de gases estufa.

Em 1997, em Kyoto, Japão, foi elaborado o “Protocolo de Kyoto”, uma carta de intenções sobre as reduções de gases estufa que requeria, basicamente, a redução de 5,2% dos níveis de emissão de poluentes em relação aos níveis emitidos em 1990 para os 35 países mais industrializados. Também foi prevista uma data limite para a conquista de tal objetivo: o ano de 2012.No entanto, o “Protocolo de Kyoto” enfrentou alguns entraves, os Estados Unidos, responsável por 36% das emissões mundiais não ratificaram o Protocolo. A ratificação deveria ser realizada pelos responsáveis por mais de 55% das emissões de CO2 para que as medidas previstas no protocolo fossem praticadas. Só ocorreu quando a Rússia aceitou assinar a ratificação em fevereiro de 2005.

Várias ações foram elaboradas para atingir a meta de redução de gases estufa, como promover mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), políticas de eficiência energética, sequestro de carbono e campanhas de conscientização ambiental.


O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)


O MDL parte do princípio que a atmosfera é a mesma para todos, portanto, a redução das emissões pode ocorrer em qualquer parte do mundo.

Indústrias e termelétricas instaladas na Europa ou no Japão, por exemplo, podem investir em empreendimentos de “tecnologia limpa” em países que não têm que cumprir metas nacionais. Assim, essas empresas adquirem créditos abatidos de suas cotas de emissões.

“O primeiro programa aprovado pelo Banco Mundial para receber créditos de carbono é brasileiro. A Nova Gerar, joint-venture da S.A. Paulista com a EcoSecurities materializou um projeto de geração de energia com gás metano em um aterro sanitário da Baixada Fluminense. A iniciativa foi a primeira do mundo oficialmente inscrita como projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto...” (Nadalutti, Roberta. Adaptado de: http//www.webeficienciaenergetica.kit.net/artigo.htm)

Entre os empreendimentos que compensam as emissões, rendendo “créditos de carbono”, estão: geração de energia renovável, tratamento de dejetos suínos e reaproveitamento de biogás, captura de gás metano em aterro sanitário, melhoramento de processos industriais, gestão e tratamento de resíduos, redução de gases como óxido nitroso, troca de combustível fóssil por energia limpa, reflorestamento e área degradada.


O “sequestro de carbono”


O sequestro de carbono consiste na captura e fixação de CO2 pelas plantas. Isto é, as florestas, especialmente, tropicais e equatoriais, são verdadeiros sumidouros de carbono.

Para compensar os altos custos da redução das emissões por empresas poluentes podem ser regulamentados projetos de preservação ou recuperação da vegetação do planeta. Dessa forma, empresas/indústrias que não conseguem reduzir suas emissões ou não querem arcar com os altos custos das novas tecnologias podem implantar projetos de reflorestamento e arcar com projetos de preservação ambiental, não necessariamente dentro dos limites de seu território. Tal mecanismo de redução de emissões pode ser denominado como “implementação conjunta” – um país pode viabilizar projetos de redução de gases estufa em outro país – neste caso, o anfitrião do projeto pode ser beneficiado, teoricamente, com o investimento estrangeiro.

Em suma, criou-se um verdadeiro comércio internacional de emissões diante de tanta flexibilização dos processos para atingir a meta de redução (diga-se, de passagem, uma meta simplória: 5,2% relacionado aos níveis emitidos em 1990).

“...se eu tenho excesso de emissões posso pagar a alguém que reduza essas emissões em seu país (processos de captura de CO2). Em síntese é uma distorção do princípio do poluidor pagador, ou seja, se eu poluo, pago alguém para despoluir, numa tentativa de se eximir de parte da responsabilidade.”

“Entretanto, o que não está dito é que as atividades que mais emitem CO2 são as que geram mais riqueza (associadas à indústria e à tecnologia) e as atividades agrícolas são as que menos emitem, mas tem valor agregado reduzido e geram pouca tecnologia. Além disso, as atividades compensatórias demandam crescimento de florestas, que os países desenvolvidos parecem não ter interesse em plantar, por simples questão de ocupação territorial. É mais fácil para eles plantar nos países mais pobres, com custos bem inferiores, do que arcar com o custo e ônus político desse novo arranjo territorial.” (Redefor, 2012, página 22)

Ou seja, os países ratificadores do protocolo de kyoto procuram em seus projetos de redução de emissões a melhor relação entre custo e benefício. Apesar das iniciativas, as emissões de carbono continuam a aumentar significativamente à medida que novos atores entram em cena, como, por exemplo, China, Índia e Brasil. O protocolo de kyoto (que já nasceu atrasado) precisa se atualizar. Referências bibliográficas:


REDEFOR – Rede de Formação Docente, SEESP (Secretaria Estadual de Educação de São Paulo) – Curso de Especialização para o quadro de magistério da SEESP. Gestão do território, energia e meio ambiente. UNESP, São Paulo, 2012.

Desafio: mudanças climáticas 2009. Caderno do Professor. Editora Horizonte. 
[1] Há cientistas que contestam e refutam tais evidências. São reconhecidos como “céticos” 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Mudando o Foco.

Nosso blog agora tratará de um outro assunto, abordaremos agora sobre o Aquecimento Global. Abordaremos também os seguintes temas:
- Segurança alimentar;
- Inflação dos alimentos;
- Matriz energética;
- Território e agrocombustíveis;
- Biodiversidade;
- Desenvolvimento sustentável;
- Rio +20.



Aquecimento global


Trata-se do aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra que ocorre desde meados do século XX e que deverá continuar no século XXI. Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (2007), a temperatura na superfície terrestre aumentou 0,74 ± 0,18 °C durante o século XX.[1]
A maior parte do aumento de temperatura observado desde meados do século XX foi causada por concentrações crescentes de gases do efeito estufa, como resultado de atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e a desflorestação.[2][3] O escurecimento global, uma consequência do aumento das concentrações de aerossois atmosféricos que bloqueiam parte da radiação solar antes que esta atinja a superfície da Terra, mascarou parcialmente os efeitos do aquecimento induzido pelos gases de efeito de estufa.
Modelos climáticos referenciados pelo IPCC projetam que as temperaturas globais de superfície provavelmente aumentarão no intervalo entre 1,1 e 6,4 °C entre 1990 e 2100.[3] A variação dos valores reflete o uso de diferentes cenários de futura emissão de gases estufa e resultados de modelos com diferenças na sensibilidade climática. Apesar de a maioria dos estudos ter seu foco no período até o ano 2100, espera-se que o aquecimento e o aumento no nível do mar continuem por mais de um milênio, mesmo que as concentrações de gases estufa se estabilizem.[3]
Um aumento nas temperaturas globais pode, em contrapartida, causar outras alterações, incluindo aumento no nível do mar, mudanças em padrões de precipitação resultando em enchentessecas.[4] Espera-se que o aquecimento seja mais intenso no Ártico, e estaria associado ao recuo das geleiraspermafrost e gelo marinho. Outros efeitos prováveis incluem alterações na frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos, extinção de espécies e variações na produção agrícola. O aquecimento e as suas consequências variarão de região para região, apesar da natureza destas variações regionais ser incerta.[5] Outra ocorrência global concomitante[6][7] com o aquecimento global que já se verifica e que se prevê continuar no futuro, é aacidificação oceânica, que é também resultado do aumento contemporâneo da concentração de dióxido de carbono atmosférico.
O consenso científico é que o aquecimento global antropogênico está a acontecer.[8][9][10][11] O Protocolo de Quioto visa a estabilização da concentração de gases de efeito estufa para evitar uma "interferência antropogénica perigosa.[12] Em Novembro de 2009 eram 187 os estados que assinaram e ratificaram o protocolo.[13]


terça-feira, 19 de junho de 2012

Apartheid


Apartheid - África do Sul

Apartheid (significa "vidas separadas" em africano) era um regime segregacionista que negava aos negros da África do Sul os direitos sociais, econômicos e políticos. 
Embora a segregação existisse na África do Sul desde o século 17, quando a região foi colonizada por ingleses e holandeses, o termo passou a ser usado legalmente em 1948.
No regime do apartheid o governo era controlado pelos brancos de origem européia (holandeses e ingleses), que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. Aos negros eram impostas várias leis, regras e sistemas de controles sociais. 
Entre as principais leis do apartheid, podemos citar:
- Proibição de casamentos entre brancos e negros - 1949.
- Obrigação de declaração de registro de cor para todos sul-africanos (branco, negro ou mestiço) - 1950.
- Proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades - 1950
- Determinação e criação dos bantustões (bairros só para negros) - 1951
- Proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas (bebedouros, banheiros públicos) - 1953
- Criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças dos bantustões - 1953

Este sistema vigorou até o ano de 1990, quando o presidente sul-africano tomou várias medidas e colocou fim ao apartheid.  Entre estas medidas estava a libertação de Nelson Mandela, preso desde 1964 por lutar com o regime de segregação. Em 1994, Mandela assumiu a presidência da África do Sul, tornando-se o primeiro presidente negro do país. 

domingo, 17 de junho de 2012

Desenvolvimento da África

DESENVOLVIMENTO DA ÁFRICA


Apresentação

A África Subsahariana (ASS) atualmente é formada por 46 países, dentro estes, cerca de 35 têm menos de 10 milhões de habitantes e cerca de 15 países constituem enclaves.
A formação do PIB é pouco mais de meio milhão de dólares, sem contar com a África do Sul.
A África Subsahariana representa, cerca de 10% da população mundial. Entretanto, apesar de representar uma potencialidade em termos de recursos humanos e materiais, apenas contribui mundialmente com 1% do PIB, 1,3% das exportações e menos de 1% do VAB industrial.
É desta África que toda a atenção mundial está voltada. O pior de tudo, apesar de múltiplos esforços feitos, ainda não se tem um plano de desenvolvimento integrado, uma vez que as ideologias políticas dominantes não conseguem se desvencilhar dos processos de produção delineados no âmbito do modo de produção colonial.


1. Introdução


Para melhor se ter à idéia sobre o processo histórico da intervenção política e econômica na África em nome da expansão da fé e de trocas no Além Mar é preciso entender e analisar o contexto da acumulação capitalista sob a égide do capital mercantil e também entender o contexto global da articulação mundial de potências econômicas, em cada momento da tentativa de consolidar seus interesses econômicos camuflados sob justificativas de implantação e defesa da ordem social e política no mundo. O entendimento desses subterfúgios implica não só em aprofundar a análise sobre as características do Modo de Produção Capitalista, mas também identificar como o continente africano foi articulado entre ideologias opostas que dividiram o mundo em dois pólos econômico e politicamente (o Capitalismo e o Socialismo). Apesar do fenômeno globalização dominar os negócios, o reflexo do colonialismo ainda se faz presente nas economias dos países africanos. Esse reflexo torna-se a principal pedra angular na formulação de teorias econômicas a luz da realidade africana. Isto equivale dizer que tanto os líderes governantes quanto os setores econômicos de países africanos estão sempre sujeitos às adaptações sucessivas das exigências impostas de fora, sobretudo às oriundas dos centros de poder econômico mundial.

1.1. Desenvolvimento Econômico: definição e debates
A complexidade do processo de desenvolvimento e ao mesmo tempo a sua relevância para o bem-estar de bilhões de pessoas do planeta têm funcionado como uma importante motivação para os pesquisadores que atuam nessa área. Como avançar em cada uma das dimensões que caracterizam o desenvolvimento? Há complementaridades entre elas? Qual deveria ser priorizada? Quais instrumentos utilizar?

O termo desenvolvimento na literatura econômica foi tema de várias definições consoantes o entendimento e vinculação político-ideológica de alguns economistas de expressão mundial:
Colman e Nixon (1981) definem o desenvolvimento como um processo de aperfeiçoamento em relação a um conjunto de valores. Certamente, a visão destes autores baseia-se na distinção entre o crescimento e o desenvolvimento econômico, porque segundo eles o crescimento seria o mero aumento da renda per capita enquanto que o desenvolvimento envolveria transformações sociais. Entretanto na visão de economistas neoclássicos o conceito desenvolvimento muitas vezes é analisado em torno da visão capitalista de acumulação, ou seja, só se pode conceber como país desenvolvido um país industrializado. Dentro dessa visão míope, muitos países outrora primário-exportador apostaram na industrialização como caminho para o desenvolvimento.
Bresser-Pereira (2006) não fugindo muito desse contexto de análise baseado no processo de acumulação de capital define o desenvolvimento como um fenômeno histórico que passa a ocorrer nos países ou estado-nação que realizam sua revolução capitalista, e se caracteriza pelo aumento sustentado da produtividade ou da renda por habitante, acompanhado por sistemático processo de acumulação de capital e incorporação de progresso técnico. Entretanto, para o Furtado (1974) a análise do desenvolvimento não deve ser dissociada dos elementos que podem ser considerados ao mesmo tempo uma conseqüência e necessidade da afirmação do Modo de Produção Colonial. Ou seja, a dependência e o subdesenvolvimento.
Segundo Furtado (1974), a problemática da dependência está relacionada ao fenômeno do subdesenvolvimento que para ele é “... coetâneo do desenvolvimento, como um dos aspectos da propagação da Revolução Industrial”. Partindo desse pressuposto, ele avalia que o subdesenvolvimento não é uma fase do sistema capitalista, mas na verdade uma conseqüência e necessidade do mesmo, pois “... o ponto de partida do subdesenvolvimento são os aumentos de produtividade do trabalho engendrados pela simples realocação de recursos visando obter vantagens comparativas estáticas no comércio internacional”.( Furtado, 1974, p.78)
Nessa mesma seqüência de análise, Furtado, explica que a existência de uma classe dirigente com padrões de consumo similares aos de países onde o nível de acumulação de capital é muito mais alto e impregnada de uma cultura urbano-industrializada, cria laços de dependência e direciona as forças produtivas de acordo com seus interesses, subjugando o país ao subdesenvolvimento.
Segundo esta formulação, a definição de dependência é a de uma situação na qual economias de um grupo de países são condicionadas pelo desenvolvimento e expansão de outras. Uma relação de interdependência entre dois ou mais países ou entre estes países e o sistema mundial de comércio torna-se uma relação de dependência quando alguns países podem expandir-se por movimento próprio através da acumulação e apropriação de excedentes econômicos, enquanto outros, estando numa situação de dependência, só podem expandir-se como um reflexo da expansão dos países dominantes, os quais devem ter efeitos positivos ou negativos nos seus desenvolvimentos imediatos.
Essa tendência a super acumulação, com a conseqüente necessidade da expansão das oportunidades de investimentos, é contrastada pelo capitalismo monopolista através do uso não produtivo do excedente em itens como os serviços de propaganda, gastos militares, etc. Esses mercados, como BARAN (1974) mostra, servem simultaneamente para expandir o consumo e para reduzir o excedente reinvestível. Assim, tanto a realização do excedente, quanto à apropriação de excedente dos países periféricos não é logicamente necessária ao desenvolvimento do centro.
Apesar de o conceito desenvolvimento ser amplamente debatido nos fóruns econômicos mundiais, a teoria econômica, sobretudo a pós-keynesiana, nos meados e finais do século vinte, veio confirmar as falácias do conceito do desenvolvimento baseado na industrialização. As experiências mostram que o modelo da industrialização tem levado ao crescimento do produto interno bruto (PIB) e não ao desenvolvimento, por causa de transferências de rendas que este modelo provoca. Normalmente, quando se compara o Produto Interno Bruto - PIB e o Produto Nacional Bruto - PNB dos países em vias de desenvolvimento, nota-se a diferença que o PIB é sempre maior que o PNB.
Não obstante, alguns institutos de pesquisas econômicas elegerem o PNB per capita como medida de referência para o desenvolvimento econômico, no que refere a distribuição de renda, ele não é capaz de ser a medida de referência para comparar as rendas de diversas nações. Isso ocorre, sobretudo, devido a fatores que distorcem a medição do produto. Dentre o qual pode ser citada a grande circulação de produtos e serviços na taxa de câmbio real e nos preços relativos (Domingues, 2004).

O desenvolvimento econômico, portanto, no seu conceito mais amplo pode ser definido como uma combinação de crescimento sustentado, reestruturação produtiva com aprofundamento tecnológico e melhoria nos indicadores sociais da população em geral (IPEA TD 1000: 40 anos de pesquisa economia e aplicada).

O desenvolvimento segundo a literatura econômica apresenta metas relativamente fáceis de definir, mas difíceis de alcançar: no último meio século, contam-se nos dedos de uma mão os países que deixaram a condição de subdesenvolvidos. Isso reflete o fato de que o desenvolvimento não se alcança com receitas prontas, predefinidas: o que funciona em um país pode não funcionar em outro, a política certa em uma época pode se tornar um equívoco no momento seguinte. Conceituar e medir desenvolvimento econômico não são tarefas fáceis, existem complicadores que são a inexistência de uma forma adequada de consenso a respeito do assunto e a ausência de técnicas de medições suficientemente eficazes. A classificação dos países segundo os estágios de desenvolvimento é arbitrária: os de renda per capita mais elevadas são classificadas como “desenvolvidos” e os demais como “subdesenvolvidos”
Neste contexto, para entender a tentativa dos modelos de desenvolvimento por que passaram diversos países da África é necessário analisar não apenas o modo de produção implantado na África colônia e da conseqüente divisão de trabalho com base no exclusivo metropolitano, mas também os diferentes estágios por que passaram a áfrica partilhada e explorada pelas grandes companhias comerciais. 
( Fundação Visconde de Cairu )   Salvador BA


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Documentário BBC - África Selvagem



Documentário BBC - África Selvagem (DUBLADO)


Esse documentários da BBC ( Dublado) que mostra toda a vida selvagem presente nesse maravilhoso continente chamado Africa. Desde das grandes montanhas, até os quentes deserto. Das savanas até as densas selvas,
 do litoral até até os grandes lagos e rios.






Dados: 
Tamanho: 260MB/cada epi
 
Video: Xvid
 Codec: Avi 
Duração: ~ 50min

Audio: Portugûes BR 
Idioma:
 Portugûes BR



Baixe e Confira


Donwload:


Epi.1 - Montanhas:
Desde a sua criação, poderosas forças subterrâneas têm atuado sobre o continente africano deixando marcas
 inconfundíveis no relevo da região. Os planaltos da Etiópia, a cadeia dos Atlas, os gigantescos vulcões 
do Vale da Grande Fenda e o incomparável Kilimanjaro.I soladas, instáveis e de terreno acidentado, essas
 montanhas testam os limites da vida animal - somente os mais fortes sobrevivem. Prepare-se para conhecer 
os habitantes desse mundo acima das nuvens!









Epi.2 - Savana:
Embora as savanas já cubram mais de um terço do território africano, são o hábitat mais novo do continente. Descubra o processo de adaptação dos animais para sobreviver nessas regiões, o papel dos elefantes como arquitetos do ecossistema e porque os leões são tão grandes e corajosos e os gnus são tão bem sucedidos. Conheça os segredos deste mundo dinâmico, onde carnívoros e herbívoros disputam o espaço e o alimento
 entre plantas rasteiras e pequenas árvores.







Epi.3 - Desertos:
Os grandes deserto africanos também abrigam uma grande variedade de animais. Desde do Sahara e do Kalahari, até Namibia. Mas como é que os animais conseguem sobreviver? Descubra nesse episódio as mais variadas 
tecnicas de sobrevivencia.





Epi.4 - Costas:
África selvagem retira-nos a tempo para testemunhar o nascimento de África e mostrar uma 
viagem espetacular em torno do litoral do continente.




Epi.5 - Selvas:
As densas selvas africanas, com uma grande variedade recursos e que abriga diversas espécies de animais.


Epi.6 - Lagos e Rios:
Das profundezas do lago Malawi às correntes geladas das Cataratas Vitória,
a água é o sangue da África.



domingo, 10 de junho de 2012

GEOGRAFIA E CINEMA - uma dica para professores de geografia e história

Nada melhor do que aproveitarmos a linguagem cinematográfica para ensinarmos e sensibilizarmos nossos alunos para temas e assuntos importantes pertinentes à geografia. 

Há vários filmes interessantes sobre o continente africano. Aliás, o cinema, talvez, seja a nossa principal fonte de informação sobre a África, afinal, a mídia no geral, não demonstra muito interesse pelo continente, e as notícias nos chegam, apenas, quando as consequências dos conflitos chegam a nós, ocidentais. 

Por aqui, vou deixar a dica do Filme "Hotel Ruanda (2004) do diretor Terry George:





Trata-se de uma história verídica, comovente e extremamente humana, vivenciada por Paul Rusesabagina, gerente de um hotel de luxo em Ruanda (ex-colônia Belga). Em meio a um verdadeiro caos (caos é pouco! O genocídio ruandês está entre entre os piores da história da África e do mundo), Paul transforma o hotel em um lugar seguro, tentando proteger um enorme grupo de pessoas da barbárie que ocorria pelas ruas de seu país.



Entre os pontos mais importantes para refletirmos e discutirmos com nossos alunos sobre o filme estão: a diferença étnica entre hutus e tutsis - como essa diferença foi criada e qual a relação entre o neocolonialismo e as causas da guerra civil; a indiferença da imprensa internacional - e nós? somos indiferentes também? O descaso da ONU e sua incapacidade em intervir sobre o conflito; a responsabilidade dos outros países - os fornecedores das armas.

Enfim, é um filme que realmente comove, que nos faz pensar... pois, além de ser uma história sobre conflito e violência, é uma história sobre solidariedade, humanidade.